Cuidado! Mulheres na pista

Ana Paula Machado

19 de Julho de 2011


Quem pensa que na ASSEKA só tem campeonato para homens, está enganado! As mulheres também têm chance de sentir a emoção que é estar na pista e competir pelo Torneio Feminino da ASSEKA. A maioria das que participam estão familiarizadas com kart porque costumam acompanhar marido, namorado, pai, irmão, ou seja lá quem for participar. Mesmo do lado de fora da pista elas se envolvem, afinal de contas fazem parte da torcida de cada piloto ali.

Mas só ficar do lado de fora da pista durante as competições não basta para elas. Muitas querem mesmo é entrar no kart e correr. Na história da ASSEKA foram dois torneios femininos em que as mulheres entraram na pista e fizeram, ou pelo menos tentaram fazer, o que aprenderam ali mesmo, assistindo e ouvindo as discussões de estratégias e maneiras de pilotagem.

Por estar sempre assistindo as corridas parece ser fácil repetir o que elas veem na pista. Mas a coisa não é bem assim. Juliana Escarim, esposa do organizador dos campeonatos, Bruno, foi a primeira mulher a subir no lugar mais alto do pódio da ASSEKA. Ela assiste praticamente a todas as corridas e mesmo antes da associação evangélica de kart amador existir, ela já acompanhava o então namorado em algumas competições. Mas ainda assim conta que não faz na pista o que o marido tenta ensinar.

“Ele fica dizendo que tenho que andar assim, assado, acelerar sei lá em qual parte e depois reclama que não fiz nada que ele disse. Nunca me atentei muito a que ponto da pista eles freiam para fazer a curva, só acompanho os tempos e as posições e quando estava dentro do kart não lembrava disso”, contou Juliana.

Ela aprendeu a gostar de corrida, “não como ele”, e conta que mesmo não sabendo muito de estratégias quando entra no kart o espírito é mesmo outro. “Por mais que estejamos para brincar, ao entrar no kart o espírito competitivo toma conta e você quer passar quem está na sua frente. Lembro que quando venci foi uma corrida bem competitiva, e era mais adrenalina ter que manter a posição e algumas vezes recuperá-la”, disse Juliana que antes da vitória, em 2005, nunca havia corrido de kart.

Já Erica Pacher, a campeã do segundo torneio em 2009, já tinha corrido antes de vencer. Namorada de um dos pilotos da ASSEKA, Elton Andrade, ela contou que um dia, quando o acompanhava em um treino, no mesmo local onde aconteciam os campeonatos até então, ficou com vontade de experimentar. Apesar da experiência não ter sido muito boa por causa de dores pós-corrida, mesmo assim Erica resolveu participar do torneio. “Aprendi a gostar de corrida com o Elton, mas nunca entendia essa fascinação dele pelo kart. Fui entender só depois que competi e senti a adrenalina. É muito bom”, disse.

Quando Erica venceu estava chovendo e nem por isso as mulheres deixaram de participar. Segundo Juliana, que também competiu, a diversão foi garantida. “Quando eu percebi que não ia conseguir segurar o kart desencanei e aproveitei os momentos que o kart rodava, que, aliás, são os melhores. Mas se o Bruno ouvir isso ele me mata”, brincou Juliana.

Erica conta que foi difícil segurar o kart nessa corrida, mas mesmo assim se manteve entre o primeiro e segundo lugar. E já adianta uma dica: “Nas últimas voltas consegui permanecer em primeiro porque vi que não adiantava acelerar, tive que ter calma, ir devagar para não escorregar na pista. Enquanto as meninas queriam correr para ultrapassar umas as outras eu fiquei preocupada em não rodar. E foi emocionante!”

Emoção essa que eu, a jornalista que escreve esse texto, espero sentir no próximo dia 30 de julho, quando competir com as companheiras de arquibancada, de torcida e espero que com mulheres de “fora”. Nunca corri de kart e ainda conheço pouco, já que comecei a acompanhar o campeonato da ASSEKA no início da temporada atual. Como motorista eu me garanto, mas como piloto, nós vamos descobrir no sábado.

O 3º torneio feminino será no dia 30 de julho a partir das 18 horas no kartódromo Granja Viana. A corrida tem duração de 25 minutos com, no máximo, 20 mulheres na pista. Para participar basta fazer a inscrição pelo site da ASSEKA e seguir as instruções do campeonato. As inscrições estão abertas para todas as mulheres.

E para quem for competir, Erica dá mais uma dica de mulher para mulher: “Não sou mestre no assunto, mas acredito que a concentração é fundamental, temos que focar na bandeirinha quadriculada!”, disse a campeã.

 

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