Religiosos ou Cristãos – O que queremos ser?

Devido influência familiar, tive uma formação religiosa – cristão-católica. Freqüentava a igreja desde pequenino, muito mais pela diversão do que por amor a Deus. Fui coroinha, participei de grupo de jovens, dentre outras coisas ligadas à religião, mas nunca pelos motivos certos.

O tempo passou, até que decidi participar do curso de crisma. Tinha 17 anos, e a partir dali minha vida foi se afastando do caminho de Deus.

Por conta do curso me tornei crítico, questionador. Questões surgiram e que até hoje não consegui respostas, seja através das coisas de Deus ou dos homens. Com isso, simplesmente me afastei e fui vivendo.

Meu caminho se cruzou novamente com Deus quando conheci minha esposa, isso há cinco anos, mas não por vontade própria.

Alguns integrantes de sua família eram (e são) evangélicos, e com o passar do tempo os que não eram foram se convertendo. Hoje, aproximadamente 90% da família, por parte dela, são evangélicos, o restante é católico e um cético, eu.

Voltei a procurar e questionar as coisas ligadas a Deus. Conversei com pastores, freqüentadores da igreja (todas as religiões) e continuo na mesma.

Não sei se por coincidência, mas, acabei em uma associação, vejam só, evangélica de kart amador.

Neste tempo todo, refleti, pesquisei e conversei e formei um entendimento sobre as questões relacionadas a Deus. Diferente do que é pregado pelas religiões, talvez por isso não encontro respostas e me mantenho cético.

Uma coisa que me intriga muito é a relação dos fiéis com Deus. Fala-se tanto da divindade de Deus/Jesus que as pessoas acabam se afastando do criador e se aproximando de um ser quase mitológico. Dogmas, regras religiosas, costumes, dentre outros, são barreiras para que as pessoas entendam realmente a Deus.

Imagino a relação com o criador como se fosse uma relação entre pai para filho. Por exemplo, não preciso me humilhar para demonstrar a meu pai que o amo, ou simplesmente para agradá-lo. Não preciso pagar penitência todas as vezes que erro para ser perdoado. Meu pai não é uma pessoa distante que para conversarmos necessito ir a um determinado local.

Essa relação que devemos ter com Deus, uma coisa de pai para filho e não de criador e criatura. Quando leio sobre a vida de Jesus, seja através da bíblia ou de qualquer outro texto, não consigo enxergar um ser distante. Se quisesse manter essa distância não teria vindo à Terra nos ensinar.

Em nenhum momento Jesus se mostra um ser superior (em todos os sentidos). Simples e humilde, nos mostrou como devemos viver. Sua mensagem é simples.

Pude notar também, que há alguns erros de interpretação dos textos bíblicos. Certa vez, li em algum lugar, que para entendermos o que a bíblia nos diz necessitamos de um conhecimento histórico. Quando foi escrito e para quem foi escrito. Não se pode simplesmente pegar trechos e, de forma literal, aplicarmos em nossas vidas. Temos que entender a essência do que foi passado. Está aí o segredo.

A história, tanto passada quanto recente, nos mostra que a religião agiu e age de forma estranha aos ensinamentos de Cristo. Vide o comércio de milagres, banalizado à exaustão na televisão. As pessoas vão à igreja pelos motivos errados, perderam o foco. Preocupam-se com o hoje, com promessas de mudança de vida, cura, dinheiro. Mas ninguém as avisa que tal mudança depende única e exclusivamente delas.

Outra coisa comum, e isto vivencio, são as atitudes. As pessoas se convertem, são batizadas, freqüentam a igreja, recebem os ensinamentos, dão lição de moral. Contudo, o comportamento não muda. Parece que são cristãs apenas naquele momento, saindo de lá voltam ao normal.

Viver em Cristo e com Cristo não é simplesmente falar sobre, induzir as pessoas a aceitar. As atitudes devem ser de cristãos, se não de quê adianta?

Viver como Cristo bíblico é impossível, porém há quem nem se esforce para melhorar. O erro faz parte. Erro e peço perdão, erro novamente e peço perdão outra vez. Isso nunca acaba. E a atitude cristã, onde fica?

Como citado, falar sobre é muito bonito, agir como é o complicado.

Óbvio que não se pode generalizar, dizer que todas as religiões, igrejas ou pessoas agem assim, entretanto, pode-se falar pela maioria.

Portanto, chego à conclusão de que devemos ser menos religiosos e mais cristãos.

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