Meu caminho até à ASSEKA.

Primeiro gostaria de agradecer por participar de um campeonato como o ASSEKA que além de competitivo aproxima as pessoas de uma forma muito pura e verdadeira.

Minha paixão pelas corridas começa cedo, desde criança assistia corridas e brincava com carrinhos, sentia algo diferente quando estava neste meio. Quando andei de kart pela primeira vez foi inesquecível, me lembro que foi em um de meus aniversários, como presente, minha mãe me levou a um kart indoor perto de casa e desde então não consegui ficar mais longe.

Nunca tive uma família rica, apesar de tudo minha mãe acreditou na minha vontade. Pensando tanto em corridas e insistindo nesta idéia fui presenteado com um kart 2 tempos. Pode parecer que foi fácil, mas descobri o sacrifício que foi feito. Na época eu não trabalhava, minha mãe como auxiliar administrativa e divorciada, sem apoio algum, foi demitida e recontratada pela empresa em que trabalhava para comprar o bólido. Não era um kart zero, muito menos competitivo. Sempre fui grato pelos esforços não poupados e apertos que passamos para que, 1 vez ao mês pudesse ir à pista apenas com o equipamento necessário. Aprendi muito com minha mãe, que com muita fé em Deus me passou garra, vontade, determinação e a paixão por automobilismo, nunca me escondeu a real da vida e isso me amadureceu muito. Meu pai não me apoiava… Lembro-me de um dia festivo que ao sentar comigo, momentaneamente me fez “esquecer” das corridas… Não adiantava, em minha mente só havia espaço para ela, a corrida. Quando sentava no kart era como se me misturasse a ele, minhas mãos nas rodas dianteiras e meus pés nas de traseiras.

Na busca por uma equipe, Maurício Seraphim, ex-chefe de Stock Car e amigo da família, me indicou uma. Marlia Racing era o nome da equipe, seu chefe era Renato Marlia, atualmente na equipe de Tiago Camilo na Stock Car, piloto que participa também com ele do campeonato da Granja Viana na categoria Stock 125. A equipe era de ponta e me lembro que Marlia disse à minha mãe que não me treinaria se visse que eu não levava jeito para a coisa. Foi assim que comecei os treinos no começo de 2004.

Um “patrocínio” foi criado junto à empresa em que minha mãe trabalhava na época, a Granja Gemar, Distribuidora de ovos de galinha. Ela seria responsável por pagar o combustível utilizado nos treinos. Os pneus utilizados não eram novos e o serviço prestado pela equipe era pago com desconto. Quem me ajudou bastante também foi meu padrasto Júlio, ele gostava de corridas e sua presença nas pistas era muito importante para mim. Seu ar de “técnico” me incentiva.

Na época fazia um tratamento para ansiedade, tomando calmantes. Era muito ruim quando na pista, sofria crises e passava mal dentro do kart. Tinha vontade de vomitar de nervoso e então ia dar uma andada na pista junto com um mecânico. Ele me falava sobre o traçado e pontos de ultrapassagens, mas às vezes me perdia nos pensamentos e pensava no custo envolvido, nas pessoas que acreditavam em mim e em tudo mais… “Se bater o kart não será possível consertá-lo”… Todos estes fatores impediram-me de aproveitar 100% do que tive, minha imaturidade me prendeu e me senti limitado.

Já havia treinado bem, porém, para participar de uma etapa oficial seria necessário muito dinheiro. Foi então que tive que parar. Minha passagem pelo kart 2 tempos foi curta, um ano apenas. Tudo o que aconteceu neste tempo foi muito importante em minha vida. Amadureci muito e pude refletir sobre coisas que antes não enxergava, como na ocasião em que ao treinar vi um helicóptero sobrevoar o kartódromo, era o pai de um piloto que havia chegado para ver seu filho treinar. Fico feliz por ser presenteado com uma mãe que mostrou de verdade o amor e a fé, o apoio que tive de familiares e amigos.

Tempos depois não conseguia me conter e a velocidade ainda estava presente nos meus dias. Foi então que decidi estudar sobre o que amo, terminei a escola e entrei no SENAI, cursando técnico em automobilística. Um curso que me agregou muito valor e pude ter mais contato com os automóveis. Adquiri conhecimentos que nunca imaginei ter sobre o assunto. Trabalhei e trabalho na área, mas algo estava vazio. Não tinha emoção, foi então que conheci a ASSEKA.

Indicado por um amigo, Rodrigo Ferrara, pude voltar ao kartódromo, agora sem ansiedade e com determinação em aproveitar 100%. Quando andava de 2 tempos via um mundo diferente… Ouvia comentários como: “… aqui não tem amigo de ninguém …” “ … todos querem ver você quebrar, rodar ou bater … ” “ … no kartódromo não é lugar para se fazer amigos …” . Logo no início, pude perceber que na ASSEKA é totalmente diferente. Confesso que fiquei surpreso quando ao sair do kart no final de uma etapa, Peti chegou em mim e disse: “Pow cara, porque você não me acompanhou? Estava legal o nosso pega…” Me senti bem em ver que assim como eu, as pessoas estavam lá justamente para participarem, sentir prazer em pilotar e não um querer passar por cima do outro. É um ambiente muito melhor e me sinto a vontade… Consigo aproveitar 120% quando sento no kart.

Em relação às etapas que participei da ASSEKA, ainda estou me adaptando, o kart é totalmente diferente do que eu estava acostumado, na 5ª etapa peguei um pouco mais do jeito do kart, subindo pela primeira vez no pódio, ainda sofro muito para me adequar a sua forma de pilotagem, mas o prazer que sinto estando em um campeonato deste, que além de unir as pessoas leva uma palavra muito importante para a vida de todos, é indescritível.

Sei que mesmo se algum dia eu voltar a andar com um 2 tempos, serei capaz de analisar situações de várias formas diferentes. A ASSEKA me proporciona isso… Não é apenas ir ao kartódromo e correr… É crescer, adquirir conhecimentos, quebrar paradigmas, aproximar pessoas e muito mais… A ASSEKA marcou a minha vida, sou grato pela oportunidade.

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